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MECOS E BADAMECOS

por Ssssstress, em 05.03.15

Vivemos uma era em que valores comportamentais e sociais se desvanecem como espuma na areia das praias.

Vivemos num tempo em que é menos valorizada a ilibação de um inocente do que a absolvição de um culpado.

Estamos vivendo numa sociedade equivocada onde não importa quem fez o quê desde que esse quem seja desconhecido ou -pior- sabendo-se quem é quem, o mesmo não se assuma ou se cale com (ou sem) a conivência dos seus pares. O importante é ficar impune!

Assusta-me que esteja a ser criada uma geração de irresponsáveis que neguem sistematicamente as suas acções e as respectivas consequências dos seus comportamentos, ainda que possam invocar como atenuante a complacência dos pais, porque estes não tiveram capacidade de aprender como se deve educar/ensinar uma criança a ser adulta, não lhes fazendo sentir que é essencial respeitar para ser respeitado.

Embora tenha presente o caso emblemático da praia do meco não é só isso que desejo aqui focar; é sobretudo a constatação de assistir a postura dos novos dirigentes, políticos e outros, que escusando-se/escondendo-se sob matéria jurídica se remetem ao silêncio (ou a um “não me lembro” comprometedor mas institucionalmente aceite (o que não entendo), numa clara fuga a responsabilidades próprias.

Sei que o tempo da palavra de honra (sem suporte de papel assinado e autenticado) acabou há muitos anos; mas não é disso exactamente do que falo. O que desejo mesmo é denunciar reclamando da falta de hombridade e de honestidade de todos aqueles que, conhecendo os seus meandros se servem das leis (que aprovam, eles ou os seus pares), para daí obterem todos e os mais diversos tipos de vantagens.

Quando um sistema jurídico aceita que um (declarado ou suposto) culpado tem o direito de ficar calado ao invés de se defender, a coisa não é boa. Mas que essa premissa seja tida como atenuante ou ilibatória da culpabilidade do réu já me parece um “exagero”. (como já aconteceu).

O caso da praia do meco é () um exemplo e não pretendo emitir juízos de valor relativamente à pessoa mas sim ao seu comportamento.

Alguém (adulto de mais de 20 anos, universitário) que perca os amigos naquelas condições (não se sentindo culpado) faria o quê?

O primeiro telefonema não seria para os bombeiros ou para a policia ou para ambos?

E depois de passados os dias de maior impacto remeter-se-ia ao silêncio? E que, ainda que instado pelos pais e/ou advogados dizendo-lhe que era melhor estar calado, isso não obstaria a que fizesse prevalecer a sua vontade, ou seja, explicar-se às famílias dos amigos (?) afogados e com elas partilhar a dor sentida por todos?

São atitudes como esta que me questiono: os meus governantes de amanhã são gajos destes? Gajos que se escondem na sombra à espera que surja um qualquer “papá” que os represente e defenda e, quem sabe, até se “emocionando” com a preleção dum juiz, mas que não se emocionou com a morte de seis filhos de outros.

Aceito que para este pai seja mais importante o seu próprio filho; mas “ameaçar” os pais daqueles que o seu filho viu desaparecerem (sem culpa?, sem culpa mesmo?), não acha que é um despropósito?

Repito: não julgo ninguém, (quem sou eu), mas condeno a atitude: a de João Gouveia (e do seu pai).

Posto isto e considerando os anos futuros da futura geração (para a qual já contribui com filhas e elas com filhos), pergunto-me: que gente, que tipo de gente vai assumir futuramente a liderança de Portugal?

Adultos preparados (bem, muito bem ou mais ou menos preparados) teoricamente mas sem quaisquer sensibilidades para serem governantes, adultos que precisam do papá para os defender ou adultos competentes e que saibam exactamente qual o melhor caminho.

Tenho medo. Mas o meu medo, o meu receio, é intuir que o que por aí vem não vai ser nada de bom porque estes, os que sabem qual o melhor caminho emigraram.

E os que restam...

Se gostava de viver até para lá dos cem anos?, eu gostar gostava mas será que vale a pena?

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publicado às 17:10

70 ANOS depois

por Ssssstress, em 27.01.15

70 anos depois voltaram a Auschwitz alguns que de lá sairam (poupados porque a "cavalaria" chegou antes do extermínio total), certamente com memórias dolorosas eventualmente esbatidas pela distância temporal, mas com certeza ainda dilacerantes sobretudo ao reverem e por conseguinte reviverem aquele lugar e o que lá sofreram.

Auschwitz (e Treblinka e outros campos de extermínio) não deve ser somente o exemplo de "como acabar" com o povo judeu (e ciganos e outros).

Auschwitz-Birknau, como todos os outros campos, é um dos exemplos (máximo???) da bestialidade humana contra os seus semelhantes, e ao fazê-lo da maneira como o fizeram mais cruel se tornou, ainda que seja sempre cruel independentemente do modo!

Tendo em conta o horror que foi e que está documentado em escritos e imagens, é igualmente um horror que haja quem desminta/minimize tal facto, (sobretudo pessoas cuja cultura e conhecimento têm obrigação de saber que aconteceu de facto), num verdadeiro desrespeito para com os familiares dos que foram exterminados, e para com os ainda sobreviventes.

Tal como outras atrocidades praticadas por ditadores (que acreditam serem Deus, ou que Ele os ilumina), é importante que os horrores praticados por Adolf e seus seguidores e apaniguados não sejam esquecidos.

Não será necessário que todos os dias se fale disto, mas é importante que isto não seja esquecido. E todavia para que não seja esquecido deve ser falado, escrito e comentado!

Num esclarecimento que entendo dever fazer sublinho que não sou judeu e não tive familiares naqueles lugares. Mas as atrocidades (não importa onde são feitas nem contra quem), não podem e não devem ser esquecidas; bom seria que, sendo lembradas não fossem repetidas; mas já que o são que sejam reveladas à sociedade e, consequentemente, condenados publicamente os seus autores independentemente de quem sejam, e independentemente de credo, sexo ou religião.

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publicado às 22:30

OS MENSAGEIROS

por Ssssstress, em 08.01.15

Muitos foram os que morreram porque disseram o que viram. E porquê?

Porque quem faz o que não deve não gosta que se saiba e, sabendo-se, mata-se o relator atribuindo-se-lhe as culpas pelo que viram.

Porém, no ano de 2105, século XXI portanto, continuarem os mesmo procedimentos de séculos de A.C.? Ultrapassa todo e qualquer recionalismo.

Já não têm conta os jornalistas que morrem unicamente  porque são jornalistas, quer de escrita, quer de fotografia, quer de outros teores. Felizmente que apesar disso ainda há pessoas que querem ter essa profissão; de outro modo deixariamos todos de saber o que se passa no mundo "lá fora" (e viveríamos em guetos, fechados nas nossas ideias e chefiados por um qualquer iluminado).

A todos eles, a todas elas, aos que já são e aos que querem ser, um agradecimento por existirem e terem vontade de continuar.

Mesmo que sejam uns "simples cartoonistas".

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publicado às 16:25

PALAVRAS bonitas-6: os donos do 25 de Abril

por Ssssstress, em 26.04.14

 

Afinal de quem é o 25 de Abril?

Muitos (todos?) dizem que: É do Povo! É do Povo!

Mas tal não parece pois se fora do povo, então todos nós saberíamos, não é?

Mas a pergunta tem razão de ser pois todos os anos e nesta época não falta quem afirme com maior ou menor ênfase que: ninguém é dono do 25 de Abril!

Todavia quando e sempre se ouve afirmar que ninguém é dono do 25 de Abril, a ideia implícita com que fico é que quem tal proclama é quem mais interessado está em ser aceite e reconhecido como tal, ou seja como seu dono.

Qual caramelo é imperioso chupá-lo antes que outros o façam e daí obtenham maiores dividendos; mas só naquele dia pois nos outros dias, para muitos políticos o incómodo é notório se e quando são relacionados com o 25 de Abril e o movimento dos capitães.

Fica a sensação de terem nascido de véspera ignorando tudo o que anteriormente aconteceu.

É uma tristeza!

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publicado às 16:28

PALAVRAS bonitas-5

por Ssssstress, em 11.04.14

Não sei se existe algum impedimento legal que impeça um convidado de falar numa comemoração oficial para que é convidado oficialmente, e que está na sua origem.

Ou que o obrigue a ficar calado!

Eu sei que parece ser a mesma coisa mas pelo sim, pelo não achei melhor sublinhar.

A atitude da actual presidente da AR é a manifestação de uma prepotência partidária (que infelizmente não é só dela pois de anteriores foi dado o exemplo), para com os que proporcionaram as condições de que ela (e muitos outros mais) estão beneficiando; foi a acção dos agora impedidos/não permitidos de se expressarem (nas comemorações desse mesmo acontecimento, repito), que lhe permitiu estar onde está actualmente.

À Srª. presidente da AR são reconhecidos méritos de que não duvido seja capacitada. Contudo admito (certamente que por ignorância minha) que falte a V. Exª um par de coisas  (o ser mulher não é razão para que não as tenha), que são verdadeiramente necessárias, digo eu, às funções para que foi eleita:

  1. Clarividência para ser verdadeiramente imparcial e
  2. Independência dos interesses/simpatias partidários, venham eles de onde vierem.

Não sei de que tipo de democracia V.Exª se considera presidente, mas quando os seus dirigentes máximos –é o caso de V. Exª- receiam aparecer em acontecimentos públicos porque saberem da possibilidade de virem a enfrentar manifestações de desagrado, ou se recusam a ouvir vozes discordantes, originadas pela prática política, entendo que se deve colocar a questão: que democracia é esta?

Alguma vez V. Exª pensou nisto? Alguma vez V. Exª percebeu em que país vive?

Ou, como V.Exª disse: o silêncio é também uma forma de resposta, de fazer política?

Pergunto-lhe: V. Exª acredita mesmo no que disse?

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publicado às 16:30

SETENTA & 4

por Ssssstress, em 16.03.14

Não sendo inédito, o comportamento das altas (e até das baixas) personalidades que em Portugal vivem debitando opiniões, ideias e (pasme-se) pensamentos, revela-se uma vez mais algo provinciano no que este conceito tem de vistas curtas e castradoras.

Não me refiro ao chamado documento dos 70 mas sim às reacções e comentários que tal documento provocou, quer nos políticos, quer nos comentadores, quer nos jornalistas, quer nos políticos/comentadores (sendo que estes nascem e proliferam com mais rapidez do que cogumelos em bosques húmidos).

  • Criticam afirmando que o referido documento é um rol de tudo o que já foi dito e redito e não trás nada de novo.
  • Criticam porque não foi o melhor momento para ter acontecido.

Mas se entendem que no tal documento nada é novo que importância tem o tempo?

E porquê tanto alarido, tanto gritar òh da guarda? Porque os mercados podem ouvir?

Como se esses tais mercados não soubessem o que a casa gasta e desconhecessem o calibre daqueles com quem têm que negociar.

Esperava-se que fossem faladas, referidas, discutidas e debatidas as ideias.

Mas qual quê, critica-se o traje menosprezando o seu conteúdo numa típica atitude provinciana de esperteza saloia!

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publicado às 23:00

AS PALAVRAS bonitas-4: fazer filhos é preciso

por Ssssstress, em 02.03.14

O PM Coelho prometeu apresentar em três meses um plano para pôr os portugueses a procriarem (intensivamente como coelhos?,  acrescento eu).

Só não disse como irá motivar os portugueses para terem mais filhos.

Faltou acrescentar uma das suas máximas: procriar custe o que custar!

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publicado às 12:05

1640 na versão de PAULO PORTAS-2013

por Ssssstress, em 10.11.13

Os políticos acham bem dizerem coisas que acreditam causarem impacto junto de quem  os ouve, porém na secreta esperança de serem ouvidos com alguma leveza evitando por isso serem confrontados com as suas próprias afirmações. Hoje lembrei-me de voltar à história e confirmar o que este vice 1º ministro achou por bem inventar: um novo 1º de Dezembro de 1640, ao comparar a saída da troika com a restauração da independência.

Não que eu pense haver quaisquer comparações. Mas peço que nos diga quem vão ser os outros intervenientes equiparados da conjura, a saber:

  • Miguel de Vasconcelos escrivão da Fazenda e secretário da
  • Duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal,
  • E também “Valido” do Conde Duque de Olivares.

Sabendo-se que o Miguel de Vasconcelos foi morto num armário “voando” depois pela janela para o “colo” da populaça que enchia o Terreiro do Paço, e que por isso já não poderá fazer parte de “um segundo take”, é lícito perguntar a Paulo Portas quem vai  estar agora escondido no armário. E como ainda há “papeis” para distribuir, quem é a actual Duquesa de Mântua e o novo Conde Duque de Olivares.

Porque nisto das recriações de épocas tem que haver rigor sob pena de se tudo se tornar numa colossal palhaçada.

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publicado às 12:22

AS PALAVRAS bonitas-3

por Ssssstress, em 06.11.13

O ministro José Pedro Aguiar-Branco, defendeu hoje a revisão da Constituição, argumentando que existe em Portugal a "tentação de um Estado totalitário" provocado por um "Estado social absorvente" que cria "promiscuidades", "clientelas" e "dependências".

E disse, entre outras pérolas, o seguinte:."A verdade é que nós, por via da situação de tender a ter esse Estado social absorvente, tender a ter um Estado que visa absorver a sociedade numa dimensão que, a meu ver é exagerada, faz com que tenhamos uma tentação de um Estado totalitário, que cria as promiscuidades, que cria as clientelas, que cria as dependências e enfraquece a sociedade".

Isto tem algum sentido? É verdade que este sr. ministro de quando em vez debita uns bitaites (parafraseando um certo “professor” Hernâni), que são umas autênticas “pérolas” e que me atrevo a dizer que: mais valia estar calado.

É então a constituição actual que permite caminharmos para um estado totalitário?

Que “dá” condições para promiscuidades, clientelas e dependências?

Sr, ministro, (claro que em minúsculas é propositado), porque não se cala? É que já disse tantas bacoradas que o melhor mesmo é calar-se. Não que seja minha pretensão limitar a liberdade de expressão nem de pensamento (longe de mim tal ideia) seja a quem for, incluindo v. exª. Quero  somente lembrar-lhe que essa coisa dos totalitarismos não estão dependentes das constituições; é mais uma “coisa” dos homens que alcançam o poder e que depois acham que podem tudo, inclusivé afirmarem como verdades as parvoíces (peço desculpa pela vulgaridade da expressão) que v.exª afirmou.

Penso que v.exª devia adoptar a ideia do seu 1º ministro e emigrar; acho que a China ou Venezuela lhe assentariam que nem uma luva.

Vá, se possível ainda hoje. Acredite que não deixa saudades!

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publicado às 21:24

AS PALAVRAS bonitas-2

por Ssssstress, em 04.11.13

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse hoje que:

“a competitividade em Portugal não se encontra nos salários baixos”,

sublinhando ainda a importância da inovação para o país concorrer no mundo globalizado.

Pergunto: Oh Sr. Presidente, por onde tem andado?

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publicado às 15:01


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